Dairce Pedrosa
Dairce Pedrosa
És a nossa árvore
Bons são teus frutos
— Frutos do saber!…
Deles os jovens (que estudam)
Só querem bem se alimentar
Não vires plantas dos deuses maus
Nem armadilhas (prontas a disparar)
Contra os que tentam estudando
Teus frutos dia-a-dia apanhar
Dairce Pedrosa
Seja esta árvore
Cheia de frutos
— Frutos do saber!…
Que põe os galhos ao alcance
Dos que desejam teus frutos colher.
O estudante não é um tântalo
(o condenado a passa fome)
Para ver teus frutos lá do chão
E ter os galhos afastados de si
Quando a eles estender as mãos
Dairce Pedrosa
Seja esta árvore
Cheia de frutos
— Frutos do saber!…
Que põe os galhos ao alcance
Dos que desejam teus frutos colher.
Lá… Lá… Lá…
Eleutério Mendes de Castro
Uma poética de texto
A letra (poema) informa a filosofia (como visão de escola ideal) de uma professora experiente – Dairce Pedrosa Torres - que atuou nesta profissão por longo tempo em Altamira, município do estado do Pará, onde reside, também o autor.
Segundo informações, o autor colheu depoimentos de parentes e antigos alunos da dedicada mestra de tantas gerações de altamirense da região do Xingu, espalhados pelo verde vale que o rio banha e penetra através de seus fluentes.
O argumento central do conteúdo do poema, cuja forma poética (vanguardista como o próprio autor) atende inicialmente a um plano melódico, mas não deixa de lado o fazer poético, ou seja, as leis ou princípios da lida literária, diz da pratica ou idéia filosófico-pedagógica da mestra, “a escola tem que ser como uma árvore farta de frutos saborosos que, mesmo sendo imensa (alta), baixa seus galhos para que os mais pequenos dos estudantes possa nela colher a vontade”.
O autor, de muita leitura (o que, aliás, é de fato), universalizou o conteúdo, opondo-o à mitologia grega sobre Tântalo, o jovem que, convidado de propósito pelos deuses pra um banquete e nele, ao provar um licor, não resistir a tentação de furtar a fórmula, dando o motivo que os deuses queriam a fim de castigá-lo, o que acabou acontecendo – Tântalo foi condenado a passar forme eterna.
A condenação se cumpria com os alimentos fugindo. A principal dizia respeito, exatamente, as árvores cujos galhos os deuses afastavam de Tântalo, todas às vezes que ele, com fome, tentavam colher nelas.
A forma do poema é totalmente livre, tanto de versificação quanto de estrofação sem, bem ao estilo do autor, deixar de fora os rimas, as figurações e a animação sutil do ser inanimado. O trabalho dos versos e das estrofes sã, idem, vanguardista: os versos, por exemplo, tombam para oito (8) ou dez (10) silabas em linhas se contarmos em linhas inteiras e os mesmos números em artifício para atender a linha melódica da canção ou do ritmo poético (caso não se saiba que tem música a letra) – eis uma quebra total da normalidade para fugir de comum (sem ter que ser tão radical) e assim incompreendido que tanto atormenta esta geração de novos poetas que surgem no Brasil, principalmente no interior de seus estados.
Veja: 1 – se – jas – es – taár – vo – re (cheia ?) de fru – ta
2 – ar – vo – re – cheia – de – as – ber
(8 e 8 S.M.)
Explicação deste poema feita por Anne Husman.

